PRÓLOGO
Uma garoa fina caía sobre o rio. Era uma tarde cinzenta e fria demais para aquela época do ano. Por diversas vezes ao longo do dia o sol tentou aparecer, mas não conseguiu romper a barreira das nuvens pesadas. Enquanto isso, a superfície da água era salpicada pelas minúsculas gotas que atingiam o leito do rio Pinheiros. Desde a manhã a chuva não havia dado trégua, oscilando de uma leve garoa, passando para uma chuva leve e moderada, até poderosas pancadas torrenciais ao longo do dia. Definitivamente, aquele não era um dos melhores dias para sair de casa a não ser que fosse realmente necessário.
Já passava das cinco da tarde, e só agora a chuva parecia dar indícios que ia parar. Era uma garoa fraca o bastante para permitir que um bando de garotos se aventurasse a vagar próximo às margens do rio. Ele estava bem mais cheio que o de costume devido à chuva e, por causa da ausência do sol, suas águas tinham uma aparência escura, sombria. Os garotos estavam entretidos jogando bola, ignorando completamente tudo o que não estivesse diretamente relacionado ao mundo de seu jogo.
CONTINUA…









