À memória de Edgar A. Poe,
e seu bicentenário de nascimento
(que ele tenha piedade de nossa alma).
Em certa noite escura e fria,
Após folhear periódicos perdidos de tempos de dias ancestrais,
Eu checava mensagens eletrônicas,
Recados em meu e-mail pessoal.
A todos li e aqueles sem mais outros propósitos futuros,
Foram prontamente descartados.
Mas de repente ouvi o aviso acelerado de mais uma missiva que chegava.
“Que mensagem virtual seria essa que me enviam por meios digitais?”
Ao abri-la, busquei em tal missiva o responsável pela obra,
Mas nada mais encontrei além do convite digital.
Sem nenhuma autoria claramente revelada,
Apenas o convite. E nada mais!
Li o ‘flyer’ inquietante de sombria e dúbia origem,
Convidando minha figura para uma noite libidinosa e inebriante.
Uma noite de vapores etílicos e libertinagem,
Com múltiplas libações ao efusivo Dionísio.
Em minha mente abalada pela inesperada mensagem,
Um dúvida nasceu e não permaneceu calada.
“Quando, oh estranho ‘flyer’, convite próspero ou de mau-agouro,
Se realizará o festejo que incitas em minh’alma nesta hora adiantada?”
Por sua vez, a imagem se mantinha calada,
Apenas me informando maiores detalhes do décimo-sexto dia do mês de Janus,
Após a vigésima segunda hora da noite,
Uma festa com bebidas e obras musicais.” Só isso e nada mais!
Irritado, levantei-me da cadeira e questionei a eletrônica mensagem,
Em meus aposentos, frente às sombras de meus umbrais:
“E se nesta data eu estiver compromissado, ocupado,
Quando, em outra ocasião poderia eu em tal celebração comparecer?”
O e-mail de hermética procedência nada respondeu,
Mas mesmo assim a resposta era óbvia e clara,
E tal qual a ave de rapina do velho Poe, sentei-me
E a mim mesmo a resposta sussurrei:
“Será apenas nesta data, e nunca mais!”









