Ao meu querido e abençoado rei Baeldric, filho do honorável Cahnric o Grande, senhor de toda Aerland. Eu, Bedanus, o mais humilde e leal de todos dentre os que servem aos Santos Imortais, lhe desejo a prosperidade eterna por toda sua vida sobre esta terra.
A ti, meu honrado senhor, lhe envio esta humilde obra que me foi confiada para compor, em honra ao nosso reino e ao seu povo. Desde as praias da gloriosa Saelinor até as poderosas montanhas de Dunmotria; das águas do poderoso Omber, que flui até o mar, nas terras de Nordmoor, até as orientais e altivas árvores de Edenia. Cada palavra aqui é dedicada a esta bela terra verdejante de Aerland.
Nos tempos antes de nossos ancestrais, as árvores da floresta de Edenia cobriam todo o reino. Os homens que aqui viviam eram selvagens e ignorantes da existência do Eterno e da glória dos Santos Imortais. E assim foi por muitos séculos. Foi então, nos tempos do imperador Nidarius III que os soldados de Leamnar chegaram. O ambicioso imperador desejava ansiosamente tomar as terras de Edenia, para anexa-las aos seus grandiosos domínios. Entretanto, os edenios não se entregaram facilmente. Uma guerra sangrenta se estendeu por muitos anos.
Ocorreu então uma grande derrota para Leamnar. Em uma de suas investidas, seu exército foi cercado no meio da floresta e, indefeso frente ao conhecimento que os edenios tinham da floresta, foram massacrados. O imperador ficou furioso, pois seu herdeiro ao trono, o príncipe estava entre os que haviam caído naquele dia. Assim, tomado pelo ódio e vingança, o imperador ordenou que incendiassem as árvores de Edenia e que seus soldados não deveriam fazer prisioneiros, todos que fossem encontrados deveriam perecer. Durante sete dias as árvores queimaram e os edenios foram abatidos como animais sob as espadas de Leamnar. Por fim, Edenia foi subjugada e tornou-se mais uma das províncias do império de Leamnar.
Por sete séculos Leamnar governou o mundo, e por quatro séculos Edenia obedeceu as ordens do trono imperial em Leantrias. Muitas árvores foram derrubadas e sua madeira usada pelo imperador em suas máquinas de guerras. No lugar das árvores, cidades e estradas foram construídas. Homens de Leamnar vieram para Edenia e cada vez mais os antigos povos das florestas se pareciam com os leamnares. E finalmente, a sabedoria dos Santos Imortais chegou às mentes e corações dos edenios.
Com o tempo, as sombras tomaram conta da corte imperial e uma sucessão de governantes fracos e corruptos levou a ruína do trono de Leantrias. Como lobos selvagens, inimigos do de Leamnar começaram a atacar e o poder do imperador já não era mais suficiente para manter a paz nas províncias. Muitas delas se rebelaram e se libertaram do governo imperial. Foi nessa época que vieram nossos ancestrais, o povo da tribo de Ealdor.
Das estepes do norte, além da sombria Moerholt vieram nossos ancestrais. A grande tribo de Ealdor, o campeão da Grande Cidade. Segundo nos dizem os livros, com o final da Guerra Negra e a queda da cidade de Morheim, houve a grande diáspora das tribos. Ealdor e seus filhos guiaram muitos para o sul, por muitas gerações, até chegarem às fronteiras de Edenia. Naqueles tempos, o poder de Leamnar ruía e Edenia estava entregue a própria sorte. Homens bestiais e degenerados atacavam, trazendo morte e desespero aos edenios. Ao chegarem, o povo de Ealdor ofereceu seu auxílio em troca de poderem viver nesta nova terra. O imperador aprovou tal aliança e, com a ajuda dos ealdoridas, Edenia se viu livre do terror de seus inimigos monstruosos. Durante a guerra contra os Homens Fera muitos pereceram, inclusive o líder dos ealdoridas, Aeren Halga o Defensor de Edenia, o primeiro dos ealdoridas a se tornar um Santo Imortal.
O povo de Ealdor passou a habitar Edenia, e se tornou leal ao imperador e ao trono de em Leantrias. De todas as demais províncias imperiais, Edenia foi uma das poucas que não haviam se separado de Leamnar. Mas isso durou só por mais algumas gerações. Foi nos tempos do imperador Albanus que nasceu Aerland.
Naqueles tempos, Leamnar havia entrado em guerra contra uma de suas antigas e mais poderosas províncias: Alamaris. A guerra trouxe a vitória para Leamnar, mas também o enfraquecimento de seu poder. Ambas as nações estavam enfraquecidas devido ao conflito, o que permitiu que muitos se aproveitassem disso. Com o fim da guerra, Alamaris foi invadida por diversas vezes por hordas de piratas que quase levaram o reino a ruína. Enquanto isso, Leamnar sofria com disputas internas, a supressão do início de uma guerra interna e a mudança constante de imperadores a se sentar no Trono Dourado. Por três primaveras, a capital do império chegou mesmo a deixar de ser Leantris. Mas foi quando Albanus, antigo general do exército imperial e veterano da guerra contra Alamaris, foi aclamado imperador que a paz voltou a reinar. Enquanto a crise assolava Leantris, Albanus reunia um exército forte o suficiente para desencorajar qualquer tipo de resistência quando chegasse à capital imperial. Assim que desembarcou no porto de Leantris, Albanus e seu exército marcharam para o palácio imperial, renderam os soldados que estavam lá e prenderam o imperador e parte do Conselho Imperial sob a acusação de traição ao império. Alguns dos conselheiros foram banidos de Leamnar, enquanto os demais foram executados juntamente com o imperador. Por fim, o novo Conselho Imperial se reuniu e aclamou Albanus como o novo imperador.
Albanus o Severo, como ficou conhecido, governou Leamnar com mão de ferro por 36 anos. Ele trouxe a paz ao império, mas por um preço muito alto. Ao final de seu governo, cada vez mais surgiam focos de rebeldes e pequenos levantes, que eram silenciados com grande violência por parte do imperador. Mesmo dentro de sua corte Albanus não estava seguro. Escapou por cinco vezes de tentativas de assassina-lo, e boatos diziam que ele começava a demonstrar sinais de loucura.
No vigésimo sétimo ano de seu governo, Albanus transformou Edenia em principado e enviou seu próprio filho para governa-la. O príncipe governava Edenia de forma tão impetuosa quanto seu pai. Foi no trigésimo segundo ano do governo de Albanus que ocorreu o grande levante de Edenia. Há muitos anos que os nobres de Edenia estavam insatisfeitos com as ordens de que vinham de Leantris, e por várias vezes o imperador reprimiu as tentativas de rebelião. Mas nem mesmo a presença do príncipe pode evitar o grande levante que ocorreu.
Liderados por Cahnric, o povo de Edenia se rebelou contra o príncipe e iniciou uma guerra que durou por três anos. Ao final, durante o inverno, à noite, os rebeldes conseguiram invadir o palácio do príncipe na cidade de Saelinor. Pela manhã, a cabeça do príncipe estava fincada numa lança em frente às escadarias do portão principal do templo dos Imortais. E foi justamente lá, nas mesmas escadarias, que Cahnric declarou a independência de Edenia. Ele também declarou que a partir daquela dia, eles também não usariam mais o nome leamnare pelo qual o império os conheciam, e adotariam o nome pelo qual a população há muito tempo já utilizava par se referir a eles mesmos: Aerland, a terra do povo de Aer Halga.
As notícias da independência de Edenia, chegaram rapidamente aos ouvidos do imperador. Mas este nada pode fazer, pois estava muito doente e veio a falecer no ano seguinte. O que arrastou Leamnar para uma nova crise pela sucessão, deixando Aerland em paz. Houve tentativas posteriores de retomar Aerland, mas nenhuma significativa e de grande importância.
Após sua independência, o honorável Cahnric foi coroado como o primeiro rei de Aerland. O rei Cahnric o Grande governou por dezoito anos. Ele foi sucedido por seu filho, o sábio Baeldric, que governa nossa bela terra há vinte um anos e que continuará por muitos anos mais, se os Santos Imortais e o Eterno assim desejarem.
Ano da Criação de Quatro Mil Quinhentos e Quatro.
FIM
Aqui estão as palavras do venerável Bedanus ao compilar uma breve história do reino de Aerland, segundo lhe foi pedido pelo rei Baeldric o Sábio. E aqui, eu, Iornus de Lunth, o copiei sob a orientação de vossa majestade Eameric, rei de Aerland, senhor de todos os edenidas, aeridas e norlidas, durante o ano da Criação de Quatro Mil Oitocentos e Noventa e Oito.









