Devido a recentes acontecimentos de ordem não tão pessoal, decidimos que seria de utilidade pública divulgarmos um dos métodos elaborados pelo grande anarquista ontológico e terrorista poético, Hakim Bey (santo seja seu nome). Desta forma, tomamos a liberdade de disponibilizar o método conhecido como “A Maldição do Djim Negro Malaio”, como forma de instaurar o medo nos corações das grandes empresas, corporações e demais organizações ao redor do mundo. Afinal, como sempre disse o Velho Morcego: “No fundo, todos os criminosos são covardes e supersticiosos”. ATENÇÃO!: sintam-se livres para adaptar como quiserem o rito para melhor eficácia de vossos interesses.
Feitiço:
“Bismillah ar-Rahman ar-Rahim
as-salaam alikum
Ó, Branco Djim, Resplendor de Maomé
rei de todos os espíritos dentro de mim
Ó, Negro Djim, sombra de mim mesmo
VÃO, destruam meu inimigo
- e se não o fizerem
considerem-se traidores de Alá -
pelo efeito do feitiço
La illaha ill’Allah
Mohammad ar-Rasul Allah“
Procedimento:
“Se, no entanto, a maldição for direcionada a uma instituição ou empresa, colete os seguintes itens: um ovo cozido, um prego de ferro e três alfinetes de ferro (enfie os pregos e os alfinetes no ovo); um escorpião, lagarto e/ou besouros secos; uma pequena bolsa de camurça com terra de cemitério, retalhos de ferro magnetizado, goma fétida e amarra com um laço vermelho. Costure o feitiço numa seda amarela e sele-o com cera vermelha. Coloque tudo isso numa garrafa de boca larga, feche com rolha e sele com cera.
A garrafa pode agora ser cuidadosamente empacotada e enviada pelo correio para a instituição-alvo – por exemplo, um programa de televisão evangélica, o New York Post, a empresa MUZAK, uma escola ou universidade – com uma cópia da seguinte declaração (cópias extras podem ser enviadas para os funcionários, e/ou espalhadas de forma furtiva pelo prédio):
Maldição do Djim Negro Malaio
Estas instalações foram amaldiçoadas por magia negra. A maldição foi realizada de acordo com rituais corretos. Esta instituição é amaldiçoada porque tem oprimido a Imaginação e desonra o Intelecto, degradado as artes a fim de estupidicá-las e promovido a escravidão espiritual, a propaganda para o Estado e o Capital, reações puritanas, lucros injustos, mentiras e arruinamento estético.
Os funcionários desta instituição correm grande perigo. Nenhum indivíduo foi amaldiçoado, mas o local foi infectado com má sorte e malignidade. Aqueles que não despertarem e partirem, ou que não começarem a sabotar o local de trabalho, irão gradualmente sofrer os efeitos desta feitiçaria. Destruir ou remover o instrumento deste feitiço não surtirá nenhum efeito. Ele foi visto neste local, e o local está amaldiçoado. Recupere sua humanidade e revolte-se em nome da Imaginação – ou será considerado (sob o espelho deste feitiço) um inimigo da raça humana.
Sugerimos que o ‘crédito’ desta ação seja dado a alguma outra instituição culturalmente ofensiva, como a Sociedade Poética Americana ou a Cruzada de Mulheres contra a Pornografia (dê o endereço completo) (…) Para contrabalançar o efeito que a evocação do djim negro pessoal possa ter sobre você, também sugerimos que envie uma benção mágica para alguém ou algum grupo que você ame e/ou admire.
Este manual da Maldição do Djim Negro Malaio foi preparado pelo Comitê do Terrorismo Cultural da Câmara dos Adeptos iniciados da HMOCA (Holy Muslim Orthodox Church in America) (’Terceiro Paraíso’) de acordo com rituais autênticos e completos. Nós somos Esotéricos Nizari-ismaelitas; ou seja, xiitas heréticos e fanáticos cuja linhagem espiritual provém de Hassan-i Sabbah através de Aladdin Mohammad III, ‘o Louco’, sétimo e último Pir de Alamut (e não através da linhagem de Aga Khans). Adotamos o monismo radical e o antinominalismo puro, e nos opomos a todas as formas de lei e autoridade, em nome do Caos.”
Fonte: Hakim Bey, CAOS: Terrorismo Poético e Outros Crimes Exemplares, São Paulo: Conrad, 2003. pp. 78 – 80.








